Recordo a criança de então e
revejo o meu imaginário prender-se com cerejeiras em flor e em fruto. A flor
das cerejeiras, promessas daqueles frutos belos e saborosos que eu apanhava e transformava
em deleitosos colares, pulseiras, anéis e brincos usados como enfeites sensuais,
femininos, já então me encantavam.
Mas seria depois, bastante depois,
que a beleza rara, intemporal e perfeita da flor de cerejeira, a Sakura, me enfeitiçaria.
Tanto que lhe pedi emprestado o nome.
Sakura, significa a beleza feminina
e simboliza o amor, a felicidade, a renovação, a esperança. É a flor nacional
do Japão, onde desde há muito, as cerejeiras são plantadas e cultivadas pela
sua beleza.
O início da floração das
cerejeiras marca o fim do inverno e a chegada da primavera. São aguardadas com
ansiedade pelos japoneses, que organizam em todo o país diversas festividades
em torno do “Hanami” (acto de contemplação das cerejeiras em flor).
Sakura é também uma metáfora da
natureza efémera da vida. A sua extrema beleza e rápido desaparecimento,
conferem-lhe um rico simbolismo. Desde o tempo dos samurais, guerreiros
japoneses e grandes apreciadores da flor de cerejeira, que passou a estar
associada à efemeridade da existência humana e ao lema dos próprios samurais:
viver o presente sem medo. Assim, a flor de cerejeira está também, de alguma
forma, associada ao código do samurais, o Bushido.
A sua grande lição é uma alusão à
fugacidade da vida e um convite a aproveitar intensamente cada momento. Tal como
a flor da cerejeira é levada pelo vento em pouco tempo, a nossa vida também
passa veloz.
O fruto da cerejeira, a cereja, é
considerado o maior símbolo de sensualidade, erotismo e sexualidade,
principalmente pela cor vermelha intensa.
Princesa Konohana Sakuya Hime
Reza a lenda que a palavra "Sakura" vem do nome da princesa Konohana Sakuya Hime. Tal princesa teria caído do céu nas proximidades do Monte Fuji e transformou-se numa flor.
Desde há muitos séculos que o Monte Fuji está relacionado com personagens e divindades femininas.


