segunda-feira, 30 de outubro de 2017



I AM THAT WOMAN

Seja por escolhas ou circunstâncias, às vezes  confundimo-nos e detemo-nos no caminho; algumas andamos mesmo para trás; outras ainda perdemo-nos.
Porém, com mais ou menos percalços, hesitações, paragens ou dúvidas, acabamos quase sempre por retomar o caminho, e por inimaginável que possa parecer, o ponto do recomeço não fica lá atrás. Não se evapora o que a cabeça e o coração aprenderam; a chama não destrói o que se conquistou em árduas batalhas ou suaves silêncios; a água não arrasta consigo diluindo tudo que se viveu, sentiu, alegrou, doeu; a terra não engole o labor de toda a nossa construção.Pode  acontecer é tudo isso permanecer imerso em mistérios de neblina interior e, simplesmente, ficarmos temporariamente incapazes de o contactar.

Mas mesmo que no esforço de lá chegar se faça necessário algum tactear, momento virá em que será real de novo o que um dia senti ao escrever:

I am that woman
To whom aging has taught 
To face the emptiness
And fill the void
To give light to the shadows
To boldly love life
Never giving up the fight
To pull herself together
Restarting in each defeat
Not judging herself or others
Rather owning and overcoming mistakes
To live accordingly to her own values
Never compromising her dignity
To never say yes when it is no
Being clear about boundaries
To try and see the blessings
In either bad or good
I am that woman
Who believes in an immanent force
Binding her humanity
With a divine transcendence
I am that woman
Who´s learning to honor the ancient wisdom
Who opens her heart to the newness
Who, although scared,
Ventures herself into the unknown
Who´s willing to be young in her mind
And wise in her heart
I am that woman
Who welcomes and cherishes LOVE

 IC


sexta-feira, 6 de outubro de 2017


É TEMPO DE MUDAR

O Outono que este ano em mim, começou demasiado cedo, arrancando-me, rasgando-me, desfazendo-me, no calendário, só começou  há pouco mais de duas semanas. Se considerarmos a meteorologia, então direi que ainda não começou, antes prolonga-se o estio numa insistência de dias verdes, radiantes e espantosamente quentes. As árvores já começaram , ainda que timidamente, a deixar cair parte das suas folhas e notam-se umas pinceladas de castanho amarelado nas suas ramagens como se um pintor preguiçoso se tivesse limitado a dar uma sacudidela brusca no pincel.

É no entanto visível que, apesar do calor inusitado, apesar do azul e do verde,  a natureza se começa a preparar lentamente para uma despedida. Despedida do que foi: ramagens folhosas, frutos maduros, trinados matutinos, tempo comprido, gargalhares porque sim, rubores porque também. Pelo chão uma brisa morna vai espalhando folhas que ali hão-de ficar à espera de alguma humidade que as grude à terra.

Vai-se dando lugar à morte. A morte que antecede nova vida. Daqui a nada, algum tempo até ao Inverno, os ramos, ainda  folhosos, mais não serão que esculturas nuas e suplicantes. Nessa altura, já o putrefacto das folhas e dos galhos mais miúdos e menos resistentes às inclemências do tempo fortalecerá o solo e servirá de alimento a novas germinações.

No outono, a natureza ensina a despedida, o largar do que, tendo ou não cumprido propósitos, já não serve, não cabe, não encaixa. A natureza é mestra. As árvores são sábias. Gostava de ser uma, ou pelo menos aprender a ser consistente e paciente como elas.

É tempo de mudar.

Despedir. Largar. Soltar. Libertar.

Porém, supera-se um desafio, um obstáculo mas não o que passou. Simplesmente não se pode voltar atrás e remendar o roto, remediar estragos. O que passou está para além do nosso controlo.

Como soltar? Como libertar?

Quiçá aceitando em nós, tal como a natureza, os ciclos de vida-morte-vida.
Ir para além do que já não se quer, abrir o coração e aceitar, idealmente amar, aquelas coisas que desejaríamos não tivessem acontecido. E acreditar que elas podem ser o húmus para novas sementeiras e colheitas. E, por isso, abrir ainda mais o coração e preparar o corpo e a alma para novos quereres.