Tempo suspenso
De corpo inteiro e cabelo em flor
olhos grávidos de
encantamentos e luar
a boca ao vento
a sorrir sortilégios de amor
assim passeava
o impensado deslumbramento
nos corredores do tempo
tecida em promessas
parecia sua a vida
em tempo suspenso
Corria o sol na alma
tinha vasos na janela
dizia alto e cantava ainda
que desafinasse nas notas
a melodia
folhas de todas as cores
até mesmo as mais belas
competiam com
a sua alegria
Um dia
inusitado romper ciclónico
derrubou o riso
ceifou o sonho
E o sol não se mostrou
e o luar esqueceu-se da noite
roubadas as flores,
o perfume, o mel
num repente
o deserto em frente
do nascente ao poente
A nudez horizontal
a fixar morada no vazio
da saudade e
do fogo frio.
I C em Setembro 2017
