domingo, 7 de janeiro de 2018






Tempo suspenso

De corpo inteiro e cabelo em flor
olhos grávidos de 
encantamentos e luar
a boca ao vento 
a sorrir sortilégios de amor
assim passeava 
o impensado deslumbramento
nos corredores  do tempo 
tecida em promessas
parecia sua a vida
em tempo suspenso

Corria o sol na alma
tinha vasos na janela
dizia alto e cantava ainda 
que desafinasse nas notas
a melodia
folhas de todas as cores 
até mesmo as mais belas
competiam com 
a sua alegria

Um dia
inusitado romper ciclónico
derrubou o riso
ceifou o sonho

E o sol não se mostrou
e o luar esqueceu-se da noite
roubadas as flores, 
o perfume, o mel 
num repente 
o deserto em frente
do nascente ao poente

A nudez horizontal
a fixar morada no vazio
da saudade e
do  fogo  frio.


I C  em Setembro 2017