quarta-feira, 8 de abril de 2020



Em tempo de quarentena...


O SILÊNCIO DO CORAÇÃO


“Passamos muito tempo a tentar pôr em palavras o que sentimos no coração, para comunicar aos outros as nossas paixões, emoções e amor. Frequentemente, estamos tão ocupados a tentar traduzir o rugido do coração em  linguagem que perdemos a experiência mais profunda que o coração tem a oferecer, que é o silêncio. Todos os poemas nascem desse silêncio e voltam a ele. Depois das músicas  cantadas, dos solilóquios proferidos, das emoções expressas, o silêncio é o que resta. À medida que cada onda de sentimento sobe e volta ao silêncio, temos a oportunidade de nos conectar com a vasta, aberta e poderosa sabedoria de cura no centro silencioso dos nossos corações.”

Esta é uma tradução livre do excerto de um texto de Madisyn Taylor que me suscitou a seguinte reflexão:

Coração é amor. Amor é consciência. A consciência amorosa, a inteligência amorosa, mergulhamos nela no silêncio do vazio que nos preenche. Dizem os cientistas que 90% dos átomos é composto por espaço vazio. Nós, constituímo-nos em aglomerados de átomos, logo 90% de nós é vazio. É silêncio. É consciência. É amor. Só precisamos de nos sintonizar com esse campo. Só precisamos de nos dar um pouco de tempo e espaço para nos conectarmos com o sentimento de paz e completude que reside nesse campo quântico de inteligência amorosa e possibilidas infinitas.

Tem sido o silêncio dentro de mim que mais tenho observado neste tempo de reclusão induzida. E o que dele levo para o mundo pequeno da casa que me resguarda e para o mundo maior das pessoas com quem vou  interagindo, seja por via telefónica, mensagens ou em encontros em  salas virtuais.

Sim, a tecnologia também me tem servido. Para me manter em contacto com aqueles que me são queridos, para me inspirar com o conhecimento e sabedoria de pessoas várias de mente intuitivamente inteligente e coração sensível, para dar e receber aulas, para trazer a casa coisas que não não posso ir buscar lá fora e aqui se inclui música ao vivo, filmes e...até teatro!

Tenho é procurado que o seu ruído não me abafe o silêncio. Raramente tenho visitado o FB, o Instagram ainda menos e, quando o faço, são incursões cirúrgicas.
Hoje vim aqui e deixo este texto.
Deixo também a quem eventualmente o leia o desafio, se assim sentir, de respirar para o campo do coração. E, se sentir alegria ou tristeza, um aperto ou um acesso de ternura, envolva esses sentimentos e sensações com a respiração, reconhecendo-os e deixando-os diluir na inefável e imensurável consciência do ser silencioso.