sábado, 19 de outubro de 2019







Caminho no asfalto com chuva miudinha a apressar-me o passo, atravesso um pequeno jardim de plátanos e ...estas folhas mortas, sob os meus pés, sobem-me aos olhos e estancam-me a pressa.
É o Outono, a estação da queda da folha, da queda dos cabelos. Da queda, da queda, da queda...
Umas notas de piano e um tanger de guitarra assomam a memória de sons guardados na alma.
Quando o Outono vem e, assim de mansinho, se anuncia vestindo campos, jardins, parques e calçadas de tons de dourado velho, vermelho tinto e castanho desbotado dou por mim num misto de contemplação reflexiva e melancólica.
E constato como caem as folhas, como caem as ideias, sonhos/projectos, amores. Como na Natureza, assim na vida. Porque tudo em final de ciclo. As folhas já debilmente presas desprendem-se à mais leve brisa, as ideias velhas a morrerem porque inúteis, os sonhos porque perderam o tempo, os amores por descaso, desnutrição ou desadequação.
E porque a altura do ano é de adentrar, maturar e despegar tudo se torna mais sentido, às vezes mais magoado.
E hoje cairam muitas lágrimas do céu!
Chego a casa, escrevo este texto e ouço infinitas vezes o Eric Clapton no seu sublime canto “Autumn leaves”.
Entretanto o Inverno há-de chegar e a Primavera germinar...all goes round, ever and ever again!