Hoje é o meu último dia de trinta e seis anos no ensino official.
Alguns colegas, aqueles que durante muitos anos fizeram de escolas a sua segunda casa e a quem a pouca esperança num futuro digno já tirou o brilho e o fulgor, dizem-me que gostariam de estar na minha posição. Estão cansados, algo desiludidos e pouco crentes de que o reconhecimento do seu trabalho se reflicta na sua carreira. Conjecturam sobre a qualidade e volume da poeira que os ventos de Junho poderão levantar.
Perguntam-me alguns como me sinto, à espera talvez do alívio exuberante de quem deixa para trás chatices e obrigações quantas vezes indesejadas e inúteis, ou de uma nostalgia nascente de quem escreve o último sumário e se despede do último aluno.
Nem alívio nem nostalgia. Sinto-me tranquila a viver mais um dia. Que, por acaso é o último de uma carreira de professora. Despedi-me dos alunos conduzindo um momento de relaxamento levando-os para um espaço imaginário de beleza, segurança e harmonia. E disse-lhes que era dali que nos apartávamos para outros encontros.
Sinceramente nem sequer sinto que fecho uma porta. Estou a encostá-la e a sair para um passeio no jardim. Se tenho planos? Sempre os tive. Ele há tantas janelas...
2 comentários:
Até já ....
Nem sequer sonho com ele, mas não por o saber demasiado longe ou inalcançável, antes porque sinto que tenho ainda tanto com que sonhar... Nem sequer sonho com ele, dizia, com o dia que hoje viveste, mas gostava de poder lá chegar com a mesma alegria, com a mesma tranquilidade, com a mesma poesia! Boas vistas!!!
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