terça-feira, 22 de abril de 2014

As coisas que mais necessitamos são as coisas de que temos mais medo como a intimidade e a comunicação autêntica. É comum ficarmos desconfortáveis com a intimidade e com a conexão. Até mesmo com a intimidade connosco própri@s. Acanhamo-nos de nos explorar e sentir no corpo e na psique. No entanto, a intimidade e a comunhão/conexão estão entre as nossas maiores necessidades não atendidas. Ser realmente vist@ e ouvid@, ser verdadeiramente conhecid@ e reconhecid@, é uma necessidade profundamente humana. A nossa fome disso é tão grande, que procuramos consolo e amparo nos substitutos que temos à mão como a televisão, comida, compras, pornografia, consumismo - qualquer coisa para aliviar a dor e para nos fazer sentir, ainda que aparentemente, conectad@s. Intimidade não tem só uma conotação sexual. É muito mais que isso, inclui todas as diferentes dimensões da nossa vida – sim, inclui o físico, mas também o emocional, o mental e o espiritual. Intimidade significa realmente compartilhar e, o que comumente fazemos nas nossas interacções, é evitarmos os olhos nos olhos e atermo-nos a temas que não gerem desconforto e que não revelem as nossas fragilidades. Temos medo da proximidade. Temos medo de amar porque quanto mais próximo se chega de alguém, maior é o risco de haver dor. É o medo da dor que sempre nos impede de encontrar a intimidade verdadeira connosco e com @s outr@s. A grande maioria das pessoas já se magoou num relacionamento. A questão é: como lidar com essa mágoa? Ao construirmos uma muralha em volta de nós para nos protegermos de que alguém tente entrar e nos magoar, essa mesma muralha que mantém as pessoas afastadas, mantém-nos trancad@s dentro.

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