sábado, 4 de fevereiro de 2023

 


O NASCER DA LUZ

 

Desde o solstício do Inverno  que a luz começou  a tremeluzir e a iniciar a lenta e tímida  saída  da escuridão das noites longas. E, apesar de o calendário ocidental continuar a assinalar o Inverno, o Imbolc vem reafirmar  que a luz engravida pausadamente tornando os dias um pouco mais longos. E mais alegres.

A longa hibernação que a caída da folha iniciou e que o Samain adensou convidando-me, diria mesmo obrigando-me, a recolher o movimento, a encolher o corpo, a esconder o frio debaixo de mantas, às vezes a não saber o que fazer com tantas horas de escuridão, começa agora a dar sinais de querer ceder.

E se tudo parecia parado e me obriguei a uma paciente, às vezes não tão paciente assim, espera de que as energias cósmicas dessem uma trégua nos seus aparentes retrocederes e o calendário desse a volta, percebo agora  a colher a mexer e remexer as águas retidas no caldeirão mágico que guardou, aqueceu e cozinhou sementes, galhos, anseios, flores, ideias, folhas, sonhos, raízes, criações, desejos, intenções.

Olho para as primeiras flores nos campos e congratulo-me com o verde que a geada não queimou.

Olho para dentro de mim, para constatar uma vez mais que o que está fora está dentro. E, como tal, no jardim interno a natureza espelha-se e quiçá no final do arco-íris esteja um tesouro com um pote cheio de  moedas de ouro convertidas na manifestação daquilo que o caldeirão invernal cozinhou.

 

 

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