O NASCER DA LUZ
Desde o solstício do Inverno que a luz começou a tremeluzir e a iniciar a lenta e tímida saída da escuridão das noites longas. E, apesar de o
calendário ocidental continuar a assinalar o Inverno, o Imbolc vem reafirmar que a luz engravida pausadamente tornando os
dias um pouco mais longos. E mais alegres.
A longa hibernação que a caída da
folha iniciou e que o Samain adensou convidando-me, diria mesmo obrigando-me, a
recolher o movimento, a encolher o corpo, a esconder o frio debaixo de mantas,
às vezes a não saber o que fazer com tantas horas de escuridão, começa agora a
dar sinais de querer ceder.
E se tudo parecia parado e me
obriguei a uma paciente, às vezes não tão paciente assim, espera de que as
energias cósmicas dessem uma trégua nos seus aparentes retrocederes e o calendário
desse a volta, percebo agora a colher a mexer
e remexer as águas retidas no caldeirão mágico que guardou, aqueceu e cozinhou sementes,
galhos, anseios, flores, ideias, folhas, sonhos, raízes, criações, desejos,
intenções.
Olho para as primeiras flores nos
campos e congratulo-me com o verde que a geada não queimou.
Olho para dentro de mim, para
constatar uma vez mais que o que está fora está dentro. E, como tal, no jardim
interno a natureza espelha-se e quiçá no final do arco-íris esteja um tesouro
com um pote cheio de moedas de ouro
convertidas na manifestação daquilo que o caldeirão invernal cozinhou.

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