Vivemos tempos de mudança. De impermanência. De desconstrução do aprendido. Desconstrução do que demos por garantido, daquilo que tomámos como certo. As estruturas antigas desmoronam-se. Os velhos paradigmas volatizam-se. O que pensávamos ser nosso escapa-se-nos das mãos. O que hoje é, amanhã pode não ser: trabalho, relações, finanças.
Podemos tentar remediar as coisas, querer voltar a pô-las no sítio, onde sempre pensámos que deveriam estar. Podemos querer evitar o desconforto da mudança, do medo do desconhecido que se lhe gruda.
Podemos tentar. Mas não vamos conseguir.
Porque o que está em causa já não são as coisas. Somos nós próprios. É a nossa verdade , enclausurada numa gestação de séculos e milénios, a rasgar o útero que a gerou. Nas dores do parto homérico parece maléfica a verdade, mas o que parece raras vezes o é.
É tempo de pôr em causa. De deixar ir, largar. Mesmo que custe. De aceitar que nada mais será como antes. Não pode. Somos nós que não deixamos. Porque o velho, o certinho, o previsível, o indigno, o corrupto, o falso já não nos serve.
E chegará um momento em que é a nós que vamos que ter que pôr em causa, exactamente no trabalho, nos afectos, na segurança. Haverá uma parte de nós que vai esbravatar enraivecida, que não se conforma em perder o controle, o poder. Quando a outra parte aceitar que tudo pode mudar, inclusivamente nós, quiçá saiamos mais fortalecidos.
1 comentário:
Parabéns à progenitora deste filho-blog acabadinho de nascer :-)
Estou certa de que ele vai crescer cheiiinho de vitalidade, criatividade, brilho, enfim ... e nos vai surpreender a cada momento ...
Aqui estou de "olho vivo" e disponível para não perder cada momento da sua vida!
Beijinho
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