segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O MEDO E O AMOR


Hoje, a caminho do dentista, lembrei-me que, há uns anos atrás, numa  escola que frequentei ( a Escola  do Ser), onde meditávamos, conversávamos e aprendíamos inteligência emocional, perguntava o Francisco (o professor) aos alunos da aula qual era o oposto do amor.
Resposta óbvia e errada: o ódio.
Resposta certa: o medo.
A  minha despreparação e limitada compreensão ficou chocada com aquela “verdade”. Não compreendi mas retive.
Depois haveria de verificar que os conhecedores das antigas tradições espirituais e qualquer guru da nova era dizia o mesmo.
Continuava sem compreender. O dicionário também não ajudava pois, não obstante o autor, definiam todos o medo mais ou menos assim:
Medo - estado emocional resultante da consciência de uma ameaça ou perigo real, hipotético ou imaginário; = fobia, pavor, terror
Medo – ausência de coragem = receio, temor

Então, sendo que o oposto de alguma coisa é a ausência dessa coisa, o medo é a ausência do amor, concluo.
E se cavarmos fundo no lodo do nosso medo encontramos um medo fundamental: o de não sermos amados, o de não sermos aceites. Desmembrando este temor gigante encontramos múltiplos  tentáculos do mesmo: do ridículo, de não sermos competentes, de parecermos idiotas, do que podem dizer de nós, de perder alguém, de não ser suficiente para alguém, de não termos a aparência ideal, de perder o emprego, da provação, da mudança...
Medo de não sermos amados.
Disseram-nos e convencêmo-nos de que nós somos uma metade. Uma metade de quê? De uma alma, de uma consciência? E que andaria por aí perdida  a nossa outra metade e que só seríamos completos quando a encontrássemos.
E pomo-nos em demanda dessa outra metade. Quando pensamos que a encontramos colocamos o imenso peso e responsabilidade da nossa inteireza e felicidade nessa metade que pensamos ser nossa. E nasce o terror da perda ou da insuficiência.
E nesse estado de carência ninguém nos pode amar.
Não sendo seguidora nem simpatizante de nenhuma religião, guardo no entanto reminiscências de uma educação católica e ocorre-me agora a seguinte frase: Ama o teu próximo como a ti mesmo o que quer dizer que eu para amar alguém tenho que me amar primeiro. Com isto eu concordo. Só dá quem tem. Só ama o próximo quem se ama a si mesmo. Incondicionalmente.
Então neste estado de amor total por nós, já não temos medo de nos perder, de nos acharmos incompetentes, ridículos ou feios. E descobrimos que afinal somos inteiros. Que não há metades  a procurar nem a encontrar. E que se alguém chegar e nos amar, como ser inteiro e não metade, é um bónus, como diz o meu amigo Emídio.

2 comentários:

Fernanda Ribeiro disse...

Viver na dependência de alguém causa sempre grande sofrimento e tornamos ou outros nossos refens.
Se não precisarmos do amor e da validação dos outros, não temos necessidade de cobrar nada, somos livres e deixamos os outros livres também. Tudo o que vem por acréscimo é sempre maravilhoso.

José A. Carvalho disse...

Uma prova de auto-estima que todos devem conquistar.A nossa alma gémea é a nossa imagem reflectida no espelho.Gostei do artigo.Obrigada Irene.