Pergunto ao vento, à chuva, às nuvens, às gaivotas, aos melros, às estrelas, às ondas, ao sol e à lua. Pergunto a tudo que rola e cai, que silva e geme, que canta ri e fala. Pergunto a tudo que flui.
Pergunto que tempo é este. Que hora é esta.
Que me reprime, deprime e esfola. Que me afasta. Ou será que nesse afastamento me aproximo?
Mas eu não ouço resposta nenhuma.
E neste silêncio de veludo cabe uma melancolia indefinida. Dói no peito a contracção da pele. Este tempo em que o relógio cósmico aprisiona no útero telúrico a semente da vida para a engravidar das infinitas possibilidades, requer uma espera que me desespera.
Ah, sim, claro.
Ok.
A vida cumpre-se em ciclos.
O tempo gira numa roda indefinida e repetível. Sem saltos e no momento certo. E para tudo há um tempo. Germinar, nascer, viver e morrer. Esvaziar e habitar de ideias, de sentimentos e de vida. Implodir e explodir. Aprender e ensinar. Inquietar e aquietar. Contrair e expandir.
O ritmo da vida sintetiza-se neste bater cardíaco de contracção e expansão. A sístole e a diástole cósmica.
Ah, que bom, que iluminado que é entender tudo isto. Mas tem um senão. Só entender por vezes não basta. E, nessas vezes, menos que desfrutar do processo, suporta-se o tempo que se sabe necessário para que a roda gire e mude de direcção.
Apetece-me dizer uma asneira pela previsibilidade deste sentimento lunar e inquieto que me entra no peito neste tempo do tempo. Que dificuldade estúpida em ir para o buraco dos dias curtos e escuros! Mas que culpa tenho eu de ter nascido numa noite quente de luar de Agosto, posso sempre argumentar. Mas não quero enredar-me nesse diálogo vitimizante.
E, por outro lado, posso questionar-me. Questionar este sentir de presa que não vê o predador, antes o adivinha no restolhar da folhagem, no ar que lhe corta o respirar, na aurora que tarda, no mercúrio quiçá adormecido nos sortilégios de vénus, na lua que aprisionou o sol. Na espera.
E talvez descubra que a minha mente mente.

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