Two of us riding nowhere
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We're on our way home
We're going home
We're going home
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You and I have memories
Longer than the road that stretches out ahead
Longer than the road that stretches out ahead
O filme começa assim com esta canção dos Beatles. Os ‘dois’ são dois adolescentes. Ele, Enoch, sobrevivente de um acidente que lhe levou os pais e o deixou a ele em coma por meses. Ela, Annabel, uma jovem com um cancro em fase terminal. Ele, um rebelde sem causa a não saber lidar com a perda e a viver uma depressão mórbida que o leva a frequentar velórios e funerais de desconhecidos. Ela, interessada em aves e insectos e admiradora de Darwin, preparada para tudo e disposta a viver com bom humor e inteligência até ao fim.
Conhecem-se num funeral. Ele como penetra. Ela como amiga do rapaz que morreu. Quase sem dar por isso, Enoch torna-se-lhe o parceiro da sua breve e última viagem e ambos vão viver uma intensa e delicada história de amor.
Morte não é tabu. Menos para ela do que para ele. Pelo caminho ele ainda cai na desesperança descontrolada, como quando ‘ensaiam’ a morte dela numa glosa de Romeu e Julieta ou como quando quase é expulso do consultório do médico de Annabel.
Mais do que uma história sobre morrer, é uma história sobre viver. Sobre viver enquanto se pode e como se pode: com zangas, divertimento e sensibilidade. É um filme com silêncios. Silêncios não depressivos nem opressivos. Silêncios de olhares e gestos.
Simultaneamente é um filme sobre aprender a viver sem. Aprendizagem proposta a qualquer um de nós através da personagem Enoch. Nesse sentido pode-se dizer que Annabel é quem o salva porque o ensina como um mestre deve fazer: com a sua acção, com a sua atitude. Ela já sabe. Comenta a sua doença e a sua morte com desprendimento, não um desprendimento de fuga ou negação, mas antes com desapego salutar de alguém que, sem o saber, conhece o princípio e o fim.
Sabemos que ele aprendeu, quando no funeral dela vai a o microfone e o que lhe vemos não são palavras de elogio fúnebre mas um sorriso e um olhar deslumbrado. Lemos-lhe os pensamentos e vemos-lhe as imagens na cabeça de momentos com ela a amar e a rir, a fazer tudo o que os jovens fazem.
We're on our way home
We're going home
We're going home
E cada um faz um regresso à sua casa.

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